Mochilada no Chile, Bolívia e Peru (11-08-2006)
Eis-nos na América do Sul, de repente estamos a milhares de kms de casa e só contamos connosco.
O nosso voo da Lan Chile para Calama, no norte do Chile, só saia dentro de 6 horas e tinhamos a opção algo arriscada de ir visitar Santiago por pouco tempo. Decidimos ficar e explorar o aeroporto.
O voo para Calama com stopover em Antofagasta também correu bem, aproveitei para travar conhecimento com um chileno que falava português porque já tinha vivido no Brasil. Ele deu-me vários conselhos em termos de segurança e várias informações sobre o Chile e o modo de vida da população. Os livros dizem que o Chile é o pais mais evoluído da América do Sul, mas apesar deste titulo ainda está bastante atrasado em termos de desenvolvimento social e educacional. Este simpático chileno saiu no stopover em Antofagasta e deu-me o seu contacto telefónico para o caso de precisarmos de ajuda. Muito porreiro!
Na ligação aérea entre Antofagasta e Calama o avião já ia muito mais vazio e podémos apreciar em maior pormenor o deserto do Atacama que domina toda a região norte do Chile. Este é o deserto mais árido do mundo e, nalgumas regiões nunca foi registada queda de chuva. Cidades como Antofagasta são abastecidas de água pelos Andes que ficam apenas a algumas dezenas de kms a Este e por um processo de transformação da água do oceano Pacifico em água doce, o que é bastante caro.

A zona norte do Chile foi conquistada à Bolívia e ao Peru na guerra do Pacifico e até hoje as relações entre estes povos são bastante tensas. Com esta guerra o Chile conquistou uma região bastante rica em minérios, que o tornaram no país mais rico e desenvolvido da América do Sul.
Finalmente chegamos a Calama e desembarcámos num aeroporto ridiculamente pequeno e sentimos de imediato o ar seco que domina a região.
Apanhámos um taxi para a cidade, para posteriormente apanharmos o autocarro da Turbus para San Pedro de Atacama. Azar dos azares já não havia bilhetes para os 2 próximos autocarros que partiam para San Pedro e o autocarro seguinte vinha de Santiago (25 horas de viagem) e estava uma hora atrasado. O pior é que já iríamos chegar muito tarde a San Pedro de Atacama e não tínhamos nenhum hotel reservado, nem tínhamos marcado excursões para o dia seguinte.
Nas 3 horas que tivemos à espera do autocarro decidimos, com ajuda no nosso precioso Lonely Plannet, contactar a agência Cactus Tours para marcar um tour aos Geyser del Tatio e ao Valle de la Lunna no dia seguinte e aproveitar para praticar mais um pouco o meu castelhano. Ficou combinado que quando chegasse a San Pedro iria à agência para pagar e dizer o nome do hostal onde iríamos ficar hospedados, porque o tour saia às 04:00 AM e iam-nos buscar directamente ao hostal.
Já depois das 22h00 chegamos a San Pedro de Atacama. Esta vila é um oásis no meio do deserto do Atacama, é habitada por 8000 habitantes, e cerca de metade destes são turistas. A vila é muito pequena e todas as suas ruas são de terra e muito poeirentas, parecendo aquelas cidades do oeste selvagem no tempo dos cowboys. O Autocarro parou à entrada da vila no meio do nada e sem qualquer luz nas redondezas, pensei para comigo... Porra!!! Estamos lixados, vamos ter que andar aos apalpões para acharmos um hostal e depois a agência.
Tivemos muita sorte, porque a Mónica (dona da Cactus Tours) estava à nossa espera e ajudou-nos a procurar um hostal (Graças a Deus, porque algumas ruas nem tinham nome). Após uns 45 minutos à procura de um lugar para dormir acabámos por ficar no Hostal Inti-Killa por 30.000 pesos. O hostal não era luxuoso, mas para mochileiro até era confortável e incluía já o desayuno.

2 Comments:
Com um começo destes... a coisa promete ser uma Aventura em Grande...
Venham de lá mais postas...
Amigão,
Obrigado pelo teu apoio. Tal como te prometi hoje à noite já criei uma nova posta.
A aventura está a começar a aquecer...
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