terça-feira, janeiro 16, 2007

Mochilada no Chile, Bolívia e Peru (15-08-2006)

Acordámos cedo e preparámo-nos para um dia que prometia ser muito cansativo. Tinhamos muitos kms para percorrer até ao hotel de sal, à beira do Salar de Uyuni, onde iríamos pernoitar.

Partimos rumo à primeira atracção do dia, a magnífica Arból de Piedra: uma pedra enorme em forma de árvore, esculpida deste modo pelos ventos fortes que sopram nesta parte do Altiplano boliviano. Tirámos algumas fotos a este capricho da natureza e partimos rumo às várias lagunas cheias de flamingos que iriamos vêr ao longo do dia.


De todas as Lagunas, a que gostamos mais foi a Laguna Honda. Apesar de não ser tão bonita como as Lagunas do dia anterior, as suas águas prateadas estavam povoadas por milhares de flamingos que não se assustavam, apesar da presença silenciosa de um pequeno grupo de turistas.


Após muitos kms de viagem almoçámos na base de um vulcão activo, que continuava a enviar fumo para a atmosfera do alto dos seus 5800 metros. O frio era intenso e a salada que comemos caíu que nem ginjas.

Da parte da tarde vimos mais Lagunas povoadas de flamingos e fomos parando em algumas aldeias indígenas para esticar as pernas. Após muitas horas de viagem e já perto do pôr-do-sol, chegámos ao hotel de sal onde iríamos pernoitar.



O hotel apesar de ser muito simples, era limpo e tinha o encanto especial de tudo ser feito de sal. Paredes, chão, telhado, mesas, cadeiras, camas e candeeiros eram feitos a partir do mineral que utilizamos para condimentar os nossos alimentos.

Depois de nos instalarmos fomos explorar a oportunidade de tomar banho após 2 dias muito poeirentos no Altiplano boliviano. Foi a primeira vez que travámos conhecimento com os chuveiros a electricidade que se utilizam na Bolivia. A electricidade provinha de um gerador com pouca potência, o que provocava um aquecimento deficiente da água.

Foi necessário cerrar os dentes para enfrentar uma amplitude térmica brutal para tomarmos um muito necessário banho. O estilo arquitectónico boliviano também não ajuda muito ao conforto do turista. São frequentes os vidros partidos e as frinchas enormes entre a paredes e o vidro das janelas, o que provoca a livre entrada do gélido vento que sopra a 4000 metros de altitude.

Após mais este sacrificio, fomos comer um belo e quente jantar, acompanhado por mate de coca. Apesar de estarmos muito cansados, ajudámos as nossas amigas a organizar o resto da sua viagem. Tal como nós, elas queriam ir até La Paz, mas depois não sabiam o que fazer com os quatro dias disponíveis antes de apanharem o avião em Arica, no norte do Chile, para Santiago do Chile. Recomendei-lhes que fossem à Isla del Sol, para verem o Titicaca e, na ida para Arica, passarem os seus últimos 2 dias a explorar o Parque Nacional de Lauca no norte do Chile.

Combinámos com o Teo que iríamos vêr o nascer do sol no Salar de Uyuni e fomos meter-nos nos nossos saco-cama para mais uma noite acima dos 4000 metros.